O Real já havia saído de cena. Ainda se ficou a cismar que poderia esse mesmo Real ter ido mais longe. E ficou a cismar-se bem! Porque o Real podia ter ido mais longe, podia ter dado um passo em frente e estar, nesta altura, a preparar-se para defrontar o Bayern. Podia, podia. Olé, Londres, olé Wembley!... E tudo se foi.
Quem tramou Mourinho?
Talvez o próprio se tivesse tramado a si mesmo. Ou acreditava ele que, com tanta 'mulinha' na equipa, um grupo recheado de campeões da Europa e do Mundo podia vir a ter a sua confiança nos momentos decisivos? Todos erram, e Mourinho desta vez fez mal as contas.
As estrelas castelhanas abandonaram-no, desfeita que não foi levada a efeito pelos italianos do Inter e pelos ingleses do Chelsea. E estes, quando o principiaram a fazer, também quase borraram a pintura!
Mas aqui ao lado as contas de Mourinho saíram furadas. E precisamente no jogo em Munique.
Ganhar a Champions era o enorme objectivo de Mourinho. Foi a razão da assinatura do contrato com o Real. Primeiro, um título nacional, depois a desejada Champions. E nem foi uma coisa nem outra.
Porque Mourinho considerou que o terreno era suficientemente fiável. Mas não era.
Creio que Mourinho sabia, por certo, que os areais de Madrid eram piso de elevadíssimo grau de dificuldade e sabia também que, se conseguisse ganhar o seu desafio pessoal, ficaria longe de todos os outros treinadores, ficaria deles a léguas, e seria um feito conseguir chegar-lhe perto em termos de currículo.
Mas o último desafio, ou melhor, o desafio de carreira que ele se lhe impôs foi muito acima do que os diversos factores conjunturais faziam crer que fossem... e Mourinho, com enorme decepção de muitos de nós, caiu.
Nada de mais. Afinal. Mourinho, o José Mourinho dos projectos arrojados e improváveis mantém a sua posição intocável, apenas com uma nódoa imposta por ele mesmo às suas ambições. O Real é uma máquina que só já lá vai se adquirir, e para quem o serve como atleta, técnico, 'lo que sea', uma coisa que se chama humildade. Perder a arrogância é preciso.
E é preciso dizer também aos jogadores que ano após ano são contratados e investidos como estrelas que para mostrar as habilidades no Bernabéu nem mesmo no Real se encontram no topo do mundo. Têm de demonstrar esse estatuto e diariamente!
Cristiano - que pena ser 'verde'! - levou a equipa ao colo e serviu os desígnios de Mourinho, em toda a época. Quando foi preciso o último fôlego, mostrou que se encontrava nas últimas e fez impressão ver a fraquíssima exibição no jogo da decisão. Outros - talvez por propósito? - não se mostraram nas alturas em que era preciso. E estavam de papo cheio! Ficam descansados e preparados para correr pelo próximo treinador. Não ganharão nada, decerto. Mas - e entre eles - ficam com a sensação de um falhanço que também, e bem lá no fundo, não desejavam. Coisas de putos mimados, digo eu!
Agora, a pergunta: que desafio vai criar para si José Mourinho?